Rádio

sexta-feira, 27 de março de 2009

Música ajuda a recuperar a visão de pacientes que sofreram um derrame


RIO - Pessoas que perderam parte da visão em decorrência de um derrame mostraram uma melhora no quadro após um período ouvindo suas músicas favoritas, afirmam pesquisadores em estudo publicado no "Proceedings of the National Academy of Sciences".

Cerca de 60% das pessoas apresentam algum tipo de deficiência visual após um derrame. Se ele acontece no lado direito do cérebro, é comum a visão do lado esquerdo ficar comprometida, mesmo se o acidente vascular não tiver afetado em áreas ligadas a visão.

No estudo britânico, os pacientes tinham que cumprir tarefas de três maneiras: em silêncio, ao som de suas músicas favoritas, ou ouvindo músicas que não gostavam. Os resultados mostram que a capacidade de perceber texturas, cores e objetos aumentou até 50% quando os pacientes ouviam músicas que gostavam.

Para o neurologista David Soto, da divisão de neurociências e saúde mental da Imperial College London e coordenador do estudo, a música ajuda a estimular emoções positivas e diminui o estresse dos pacientes, aumentando a capacidade de regeneração cerebral.

Fonte: http://oglobo.globo.com/vivermelhor/mat/2009/03/25/musica-ajuda-recuperar-visao-de-pacientes-que-sofreram-um-derrame-754984635.asp

Agência Radioweb adere à campanha a Hora do Planeta 2009



No próximo sábado, dia 28, todas as pessoas estão convidadas a participar da Hora do Planeta 2009 e apagar as luzes por uma hora, entre 20h30 e 21h30.

O movimento é um ato simbólico de combate ao aquecimento global realizado em todo o mundo pela Rede WWF desde 2007. Este é o primeiro ano que o Brasil participa da ação.

Para a sua rádio fazer parte desta mobilização basta veicular o spot produzido pela Fundação Boticário. Para baixar o spot. acesse: www.agenciaradioweb.blogspot.com

Até agora, mais de 1.100 cidades em 80 países assumiram o compromisso de participar da iniciativa. A expectativa é que a Hora do Planeta 2009 conquiste a adesão 1 bilhão de pessoas. Faça a sua parte e ajude a combater o aquecimento global.

Fonte: Agencia Rádio Web


Grupo de mídia argentino denuncia interferência em transmissões via satélite

BUENOS AIRES, Argentina, 26 Mar 2009 (AFP) - A Artear, a empresa de produção de conteúdo audiovisual do poderoso grupo Clarín, da Argentina, denunciou nesta quinta-feira ter sofrido "interferências intencionais" nas transmissões via satélite de seus canais da televisão aberta e paga e de suas rádios AM e FM.

"Nas últimas 48 horas, (a Artear) sofreu interferências que impediram a recepção de seu sinal, que vai via satélite para o interior do país e para o estrangeiro", indicou o comunicado lido no ar por jornalistas das emissoras TN e Canal 13. O fato foi denunciado como "um ataque à imprensa" pelo Clarín, jornal de maior circulação do país, que em sua edição desta quinta-feira descreve o episódio e pede um debate para discutir uma nova legislação de radiodifusão. A presidente Cristina Kirchner lanço na semana passada um pré-projeto de Lei de Serviços

Audiovisuais, que substituirá a Lei de Radiodifusão, vigente desde a última ditadura (1976/83). O governo incentiva a aprovação da nova norma como um instrumento para pôr fim à prática do monopólio nas comunicações argentinas, mas é criticada pela oposição e por grandes grupos de mídia, que a consideram uma violação da liberdade de imprensa. A nota da Artear acrescenta que "segundo informou a empresa Intelsat, que opera o satélite IS-3R, o sinal da TN (Todo Noticias) e do Canal 13, assim como o da Rádio Mitre (AM) e da FM 100, foi interrompido na terça-feira por quase três horas, e ontem (quarta-feira) por mais de duas horas". A Intelsat detectou "uma forte interferência no transpondedor utilizado pelo sinal da Artear", indicando que "as únicas prejudicadas, entre todos os usuários do satélite, foram os sinais da empresa Artear". O vice-presidente da comissão de Meios de Comunicação do Senado, o opositor Juan Carlos Marino (UCR, social democrata), considerou o fato como "de uma gravidade institucional complicada", e disse que apresentará um pedido de informações ao Comitê Federal de Radiodifusão (COMFER).

Fonte: Agencia France Press

Link: http://g1.globo.com/Noticias/PopArte/0,,MUL1060091-7084,00-GRUPO+DE+MIDIA+ARGENTINO+DENUNCIA+INTERFERENCIA+EM+TRANSMISSOES+VIA+SATELIT.html


Brasileiro prefere música que web no celular



SÃO PAULO - O uso do celular para ouvir música e ver vídeos dobrou entre os brasileiros, segundo o estudo TIC Domicílios 2008, divulgado pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

Em 2008, 23% dos brasileiros usaram seus aparelhos para este fim, contra apenas 11% em 2007. O ano representou uma guinada no uso dos recursos multimídia do celular, já que anteriormente a média de uso vinha se mantendo estável – 10% em 2006 e 9% em 2005.

Outra atividade que está se tornando mais popular entre os brasileiros é o envio de torpedos de foto, que aumentou de 15% para 24% entre 2007 e 2008.

O envio de mensagens de texto continua em alta, sendo praticado por 55% dos usuários de celulares em 2008, um ligeiro aumento em relação aos 51% registrados em 2007.

Já o uso da internet pelo celular teve crescimento tímido, conquistando apenas 6% dos usuários no ano passado, contra 5% em 2007.

Apesar da baixa penetração geral, os responsáveis pelo estudo destacam que nas famílias com renda acima de 10 salários mínimos o cenário começa a mudar. Nesta faixa de renda, 18% usam seus celulares para navegar, um aumento de quatro pontos percentuais sobre o ano anterior - o que indica que o custo é a barreira mais provável para o uso da internet no celular.

Fonte: http://info.abril.com.br/aberto/infonews/032009/26032009-44.shl

terça-feira, 24 de março de 2009

Conferência Nacional de Comunicação

Por: Laurindo Lalo Leal Filho

Bastou o governo confirmar a Conferência Nacional de Comunicação e a campanha contra começou. E a ordem veio de cima, bem de cima: da associação internacional dos donos da mídia no continente, conhecida pela sigla SIP (Sociedade Interamericana de Prensa).
No Brasil, comunicação sempre foi um não-assunto. Contam-se nos dedos os jornais que, em algum momento, abriram espaço para uma reflexão crítica a respeito do próprio trabalho. Para o rádio e a televisão dispensam-se os dedos, não há autocrítica. Se do conteúdo informativo pouco ou nada se fala, sobre as lutas de seus trabalhadores o silêncio é total. Lembro uma campanha salarial liderada pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná que espalhou outdoors por Curitiba com a frase "a nossa dor não sai nos jornais". Naquela época, anos 1980, as dores de outras categorias até apareciam em algumas páginas, menos a dos jornalistas.
E os jornalistas, além das suas dores e angústias profissionais, têm muito a falar sobre a sociedade e os meios de comunicação. Muito mais do que seus patrões permitem. Claro que há jornalistas e jornalistas, como lembrou em artigo exemplar nesta página Marcelo Salles. São, de um lado, os que estão comprometidos com as imprescindíveis e necessárias transformações sociais e, de outro, os ventríloquos dos que lhes pagam altos salários no fim do mês. A maioria ganha pouco, trabalha muito e tem que ficar quietinha cumprindo as pautas determinadas pelos interesses empresariais.
Essa divisão se já era bem nítida, agora escancarou-se diante da anunciada realização da Conferência Nacional de Comunicação, reivindicação histórica de vários setores da sociedade. Bastou o governo confirmar o evento, a campanha contra começou. E a ordem veio de cima, bem de cima: da associação internacional dos donos da mídia no continente, conhecida pela sigla SIP (Sociedade Interamericana de Prensa). A entidade se diz preocupada "porque os debates (na Conferência) serão conduzidos por ONGs e movimentos sociais que pretendem interferir no funcionamento da imprensa?. Expressão que pode ser traduzida pelo temor diante da possibilidade de um debate mais sério e aprofundado sobre o pensamento único imposto pelos grandes meios de comunicação aos nossos países. Afinal, debates como o proposto podem conduzir a ações práticas, capazes de impor limites a esse poder incontrolado.
Do lado patronal dificilmente sairia posição diferente, afinal estão defendendo interesses de classe seculares. O triste é constatar que enquanto centenas de trabalhadores da mídia mobilizam-se em todo o Brasil a favor da realização da Conferência, uns poucos jornalistas e radialistas, agem em sentido contrário. Caso emblemático é o de um âncora e de uma repórter da rádio CBN que usaram longos minutos da programação para ecoar pelo país as posições dos seus patrões. Usavam o velho procedimento dos comunicadores populares, decodificando para grandes audiências as concepções ideológicas de quem lhes paga os salários. Esbanjando informalidade, usando a ridicularização como arma, eles levam ao ouvinte as mesmas idéias que os jornais apresentam de forma mais elaborada, nos editoriais ou nas colunas dos seus articulistas. Colaboram, dessa forma, para popularizar as idéias da classe dominante tornando-as dominantes em toda a sociedade, como já notava aquele pensador do século 19, cada vez mais atual.
Mas há resistência. Rapidamente os sindicatos dos jornalistas do Distrito Federal e do Estado do Rio de Janeiro foram a público repudiar a posição da SIP e dos seus porta vozes nacionais. Os jornalistas do DF através de sua entidade perguntam "O que pretendem os grandes empresários da comunicação? Pressionar o governo para retirar o apoio à Conferência, facilitando assim a manutenção intacta dos oligopólios que dominam, e que manipulam a informação, em detrimento do interesse público". E os fluminenses afirmam: "A nossa entidade não pode silenciar diante do posicionamento pouco democrático manifestado pela SIP. É preciso deixar bem claro que o patronato mente quando diz que defende a liberdade de imprensa, pois está, isto sim, defendendo de fato a liberdade de empresa, que não aceita a ampliação dos espaços midiáticos a serem ocupados pelos mais amplos setores representativos do povo brasileiro, como são os movimentos sociais".
Apesar das pressões, não há dúvida que a Conferência vai sair. Pelos estados já se realizam conferências regionais preparatórias para o encontro nacional marcado para o começo de dezembro, em Brasília. Diante do fato irreversível, as entidades patronais tentam impor suas pautas ao debate. Segundo a Folha de S.Paulo, para Paulo Tonet, da Associação Nacional de Jornais, discutir monopólio e propriedade cruzada é um retrocesso. Para ele o tema tem que ser "conteúdo nacional e igualdade de tratamento regulatório". Mais uma frase que precisa tradução: ele quer dizer que a Conferência só deve tratar dos interesses das empresas de rádio e televisão, preocupadíssimas com a entrada no mercado de radiodifusão das operadoras de telecomunicações.
E parte para o sofisma ao chamar de retrocesso a discussão em torno do monopólio e da propriedade cruzada dos meios de comunicação, sem dúvida a maior chaga existente na comunicação social brasileira. Não há como democratizá-la sem que se enfrente com determinação esse obstáculo.
O tema geral da Conferência será "Comunicação: Direito e Cidadania na Era Digital". Amplo o suficiente para caber tudo. Daí a importância da mobilização nacional, necessária para impedir que os interesses empresarias da mídia se sobreponham aos da sociedade. Conferências de outros setores, como saúde, educação e direitos humanos, por exemplo, tem sido decisivas para o encaminhamento das respectivas políticaspúblicas. A da comunicação não pode fugir à regra.
Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP e da Faculdade Cásper Líbero. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

Fonte: Agência Carta Maior


Colaboração: Camila Oliveira (Agencia Mandacaru de Comunicação)


Inscrições abertas para o Festival de Música Educadora Fm

Estão abertas as inscrições para o 7º Festival de Música Educadora FM. Para concorrer o candidato precisa ser baiano ou residir na Bahia há pelo menos dois anos e apresentar até duas gravações inéditas.
As inscrições podem ser realizadas, das 14 às 17h, na Rádio Educadora ou postagem via Correios para o endereço Rua Pedro Gama, 413e, Federação, Salvador, Bahia. CEP 40231 000.
A premiação total em dinheiro, envolvendo cinco categorias, aumentou de R$ 35 mil para R$ 42 mil.
Serão selecionados 14 finalistas para gravarem o CD do festival os quais receberão um prêmio em dinheiro de R$ 1 mil reais.
Confira as categorias e os respectivos prêmios:

Melhor Música Vocal: R$ 12.000,00
Melhor Música Instrumental: R$ 12.000,00
Melhor Intérprete Vocal: R$ 6.000,00
Melhor Intérprete Instrumental: R$ 6.000,00
Melhor Arranjo: R$ 6.000,00
Baixe o regulamento:
http://www.educadora.ba.gov.br/festival2009/regulamento.pdf
Baixe a Ficha de inscrição:
http://www.educadora.ba.gov.br/festival2009/index.html
Mais informações:
(71) 3116 7359
(71) 3116 7443
ascom@irdeb.ba.gov.br
assessoriairdeb@gmail.com
Fontes: Agecom / Aldeia Nagô / A Tarde Online / Irdeb

segunda-feira, 23 de março de 2009

Rádio Clube AM e FM passam a transmitir a mesma programação

A partir desta quinta-feira (19) a Rádio Clube AM passa a transmitir a mesma programação da Clube FM. A ideia, segundo o diretor geral do Grupo Lumen, Armando Celia Júnior, é unificar a programação e passar a transmitir em rede. “O objetivo é unir a potência da FM com a amplitude da AM, somando a audiência", explica.
Para o diretor artístico do Grupo Lumen, Rulian Maftum, a iniciativa é estratégica . “Aqui no Paraná nós estamos saindo na frente, seguindo a tendência das grandes rádios do Brasil como CBN, Bandeirantes, Itatiaia, Gaúcha, Clube de Brasília, que já fizeram e cujos resultados têm sido muito positivos”, ressalta.
A proposta visa também consolidar a forte identidade dos paranaenses com a Rádio Clube e firmar o posicionamento dela como uma rádio “100% sertaneja”. “Esta é a visão que o nosso público já tem e que nós queremos fortalecer ainda mais em todo o Estado”, afirma Maftum. “A mobilização com o nosso público é importante e a resposta dele é rápida e forte. E é nesse sentido que nós estamos trabalhando, para consolidar ainda mais a nossa imagem perante os ouvintes”, completa.

Fonte: http://www.paranashop.com.br/colunas/colunas_n.php?op=notas&id=24033

Polícia fecha rádio pirata no subúrbio do Rio de Janeiro

Na tarde desta sexta-feira (20), policiais civis da 29ª Delegacia de Polícia de Madureira fecharam uma rádio pirata que funcionava no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro (RJ).
De acordo com informações da polícia, a rádio não tinha autorização para operar. No local, foram apreendidos computadores, antes e mesas de áudio, além de outros equipamentos utilizados na transmissão. O proprietário da rádio também foi preso em flagrante.
Segundo informa o portal Terra, todo o material apreendido foi levado para a 29ªDP e foi aberto inquérito para investigação da quebra de normas estabelecidas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para abertura de rádios no País.

Fonte: http://portalimprensa.uol.com.br/portal/ultimas_noticias/2009/03/20/imprensa26881.shtml

Feira da Música, no Ceará, inscreve propostas de shows e workshops

A Feira da Música, um dos mais importantes eventos do setor do país, chega em 2009 à sua oitava edição, que acontece de 19 a 22 de agosto, em Fortaleza (CE). A data final das inscrições foi prorrogada para o dia 3 de abril. Podem se inscrever instrumentistas, cantores e bandas do Brasil e do exterior, dos mais diferentes gêneros, como rock, música eletrônica, jazz instrumental, hip hop, blues e MPB. Além de grupos musicais, a Feira da Música recebe propostas de palestras, oficinas e outras atividades relacionadas ao tema Tecnologia.
O evento tem programação com shows, rodadas de negócios, oficinas, conferências, lançamentos, exposição da indústria de equipamentos, instrumentos e serviços. Seu objetivo é ser um polo de discussão, divulgação e intercâmbio da produção musical, da indústria fonográfica e das mais diversas áreas que compõem o mercado musical. Tecnologia Este ano a Feira da Música terá pela primeira vez um tema central e o foco será a Tecnologia em todas as suas relações com o universo musical. O assunto será abordado no 8° Encontro Internacional da Música, que integra a programação do evento. O encontro terá com oficinas, painéis e workshops relacionados a softwares livres, desenvolvimento de plataformas para áudio e meios multimídias.A ficha de inscrição de grupos musicais, instrumentistas e cantores está disponível no site da feira. Depois de preenchida, deve ser enviada para a Midiamix Comunicação, produtora associada do evento, juntamente com um CD demo contendo, no mínimo, três músicas, ficha técnica com a relação dos músicos e instrumentos e um breve release. O endereço para o envio é Rua Engenheiro Plácido Coelho Júnior, 180, Vicente Pinzon – Fortaleza - CE, CEP 60175-635. O anúncio da seleção está programado para a primeira semana de maio. A Feira da Música é uma realização da Associação dos Produtores de Discos do Ceará (PRODISC) em parceria com o Sebrae-CE. Mais informações pelo telefone (85) 3262-5011 ou no email secretaria@feiramusica.com.br.

Fonte: http://pe360graus.globo.com/diversao/diversao/musica/2009/03/21/NWS,487638,2,225,DIVERSAO,884-FEIRA-MUSICA-CERA-INSCREVE-PROPOSTAS-SHOWS-WORKSHOPS.aspx

Escola de Música

O aprendizado de música está ao alcance de todos em São João de Meriti. O município mantém uma escola pública voltada exclusivamente para o ensino de instrumentos musicais e teoria musical, dando oportunidade para que crianças, jovens e adultos descubram um talento artístico. O caderno Baixada deste sábado mostra como Rafael Mota, de 17 anos, aprendeu a tocar piano em apenas dois anos. Ele agora vai cursar a Faculdade de Música da UFRJ. A matéria pode ser conferida na íntegra na edição de hoje do Caderno Baixada ou no GLOBO-Digital.

Fórum discute a importância da liberdade de imprensa na construção da democracia

Com o tema "Jornalismo, uma indústria pelo pensamento democrático", acontece no dia 04 de maio, segunda-feira, em São Paulo, a 2ª edição do Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia. Realizado pela Revista Imprensa, com apoio da ABI e apoio de mídia da TV Globo, trata-se de um encontro para discutir a importância do jornalismo e da comunicação para o fortalecimento das sociedades democráticas.
O fórum será composto por uma conferência de abertura, três painéis e conferência de encerramento, nos quais serão debatidas a indústria jornalística, as ferramentas digitais que cada vez mais colaboram com a difusão da informação, liberdade de expressão e a Lei de Imprensa.
As inscrições são gratuitas e poderão ser realizadas no site www.portalimprensa.com.br/forumliberdadedeimprensa. Mais informações podem ser obtidas com Gabriela Miranda ou Laila Damasceno pelo e-mail liberdadedeimprensa@portalimprensa.com.br ou telefone (11) 2117-5311.

Fonte: http://portalimprensa.uol.com.br/portal/agenda/2009/03/23/imprensa26901.shtml

quinta-feira, 19 de março de 2009

"As gravadoras ainda podem sobreviver"

Para o especialista, a mesma internet que quase destruiu a indústria é agora a grande chance de salvação do negócio

A espetacular quebra da indústria das gravadoras na era digital", ainda sem previsão de publicação no Brasil). Na entrevista a seguir, Knopper fala sobre o impacto da internet na indústria da música e discute os caminhos para trazer de volta os lucros das empresas do setor.
1) Entre os erros cometidos pelas gravadoras, qual foi o que mais contribuiu para a crise atual?Quando o Napster, primeiro programa de compartilhamento de músicas pela internet, surgiu, na década de 90, as gravadoras tentaram combatê-lo em vez de buscar alianças. Isso foi fatal. Quando as gravadoras conseguiram fechar o Napster nos tribunais, os serviços de compartilhamento de músicas na internet não acabaram. Pelo contrário, eles se multiplicaram.
Por que as gravadoras fizeram da internet uma inimiga?Com as vendas dos CDs, as gravadoras detinham o controle de cada passo do negócio, do momento de produção do álbum à compra dele por um fã. A internet representou a quebra dessa cadeia de produção lucrativa. As gravadoras cometeram o erro de pensar que, se processassem alguns sites ou se ignorassem por um tempo a nova tendência, ela simplesmente deixaria de existir.


Fonte: http://portalexame.abril.com.br/degustacao/secure/degustacao.do?COD_SITE=35&COD_RECURSO=211&URL_RETORNO=http://portalexame.abril.com.br/revista/exame/edicoes/0939/negocios/gravadoras-ainda-podem-sobreviver-429083.html

PRESIDENTE DA ARGENTINA APRESENTA PROJETO PARA SUBSTITUIR LEI DE RADIODIFUSÃO

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, apresentou nesta quarta-feira um projeto de lei para substituir as normas que hoje regem o sistema de radiodifusão do país, que datam de 1981 e foram aprovadas ainda sob a ditadura militar (1976-1983).
A medida, batizada de Lei de Serviços de Comunicação Social, foi exposta no Teatro Argentino de La Plata, cidade situada a 80 quilômetros da capital Buenos Aires e reduto político de Cristina. Foi neste mesmo local que ela anunciou sua candidatura à presidência.
A mandatária não detalhou o projeto. Disse apenas que entre as principais mudanças propostas está a definição de uma cota de 33% de licenças de rádio e televisão dedicadas exclusivamente a entidades sem fins lucrativos, como universidades, cooperativas, igrejas e ONGs.
Cristina enfatizou que a intenção é democratizar o acesso aos meios de comunicação, fazendo com que "todos os argentinos tenham direito à expressão". "A expressão não pode ser monopolizada por um setor ou empresa", disse ela. "Só podemos formar cidadãos livres se [eles] têm a possibilidade de formar seu próprio pensamento."
Além disso, argumentou que a atual legislação de audiovisual "é inválida por sua origem", já que foi aprovada pelo governo militar, e que por isso o novo projeto é "uma velha dívida da democracia".
Cristina explicou ainda que, desde a década de 1980, as comunicações passaram por um "salto tecnológico", o que requer uma modernização nas normas.
"Necessitamos de um suporte jurídico para que a incorporação de novas tecnologias não deixe a população sem a possibilidade de se expressar e ter acesso a toda a informação", explicou.
A presidente garantiu que o projeto, elaborado pelo Comitê Federal de Radiodifusão, será submetido a um amplo debate público antes de seguir para votação no Congresso.
A oposição, por sua vez, alega que o governo quer investir contra a liberdade de imprensa, ampliando seu controle sobre os meios de comunicação.
O vice-presidente da Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados, Gustavo Cusinato, que é da oposição, afirmou que "o único objetivo do governo é avançar em uma nova divisão de meios [de comunicação] para colocar monopólios nas mãos de seus amigos". "Não vamos dar ao governo ferramentas para que siga perseguindo jornalistas", ressaltou o político.
Estiveram presentes à cerimônia de hoje, além de ministros, governadores e parlamentares, representantes das duas maiores centrais sindicais do país, ambas alinhadas ao governo, associações de jornalistas independentes, meios de comunicação comunitários e ONGs. O marido de Cristina e ex-presidente Néstor Kirchner também estava na plateia. (ANSA)

Fonte: http://www.ansa.it/ansalatinabr/notizie/notiziari/argentina/20090318215134844801.html

Balanço relativo a 2008 foi divulgado nesta quarta-feira, 18. Os investimentos no ano passado foram de R$ 15,1 milhões

Balanço relativo a 2008 foi divulgado nesta quarta-feira, 18. Os investimentos no ano passado foram de R$ 15,1 milhões

A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo divulgou nesta quarta-feira, 18, seu demonstrativo financeiro relativo ao ano de 2008. De acordo com o balanço, a empresa pública registrou lucro líquido de R$ 71,8 milhões. Em 2007, esse número havia sido de R$ 47,3 milhões. A receita bruta foi de R$ 271,9 milhões, 20,2% superior à de 2007. Já os investimentos realizados no ano passaram chegaram a R$ 15,1 milhões - um recorde, de acordo com o comunicado. Esses recursos foram destinados à compra de novas impressoras, contratação de pessoal e treinamento.

Fonte: (Meio e Mensagem)

Prata da casa: Rádio Cipó reverbera em Sampa

Devido ao sucesso de sua última apresentação no Sesc Pompéia de São Paulo, no ano passado, o Coletivo Rádio Cipó (CRC) alça voo mais uma vez em direção à XV Mostra Prata da Casa, que no próximo dia 22 apresentará os melhores shows de 2008 realizados na instituição. Para arrecadar fundos para a viagem, o grupo realiza show hoje, dentro do projeto Casarão Live, às 22h, no Café com Arte.

O Casarão Live é uma parceria de bandas paraenses com o Casarão Cultural Floresta Sonora, um núcleo de produção com estúdio e sala de ensaio. Hoje o CRC fará uma “jam session”, ou seja, quem quiser (e souber, lógico) pode subir no palco e se apresentar ao lado da banda. “É uma grande festa, uma diversão pra gente. Vamos fazer música e experimentações”, diz Carlinhos Vas, produtor do coletivo. Já participaram do evento bandas como Juca Culatra e Trio, Sevilha e os DJsMarcel Arêde e Pro Efx.

Para a apresentação em São Paulo, os caras do Rádio Cipó reservam algumas novidades, como uma homenagem ao ativista político e pai do afrobeat Fela Kuti. Eles samplearão batidas eletrônicas em cima da música instrumental “This Is an Ashanti Proverb”, de autoria de Fela, com inserções de sua voz. Já Mestre Laurentino, o convidado especialíssimo dos shows do Rádio Cipó, cantará cinco músicas, sendo três do disco novo, mais as clássicas “Loirinha Americana” e “Vale São Fernando”. Como só conseguiram metade das passagens, apenas seis dos 13músicos do coletivo viajarão para São Paulo: Ruy Montalvão (Ratoboy) nos vocais,Renato Chalu na guitarra, Jared das Arábias no baixo, Leo Chermont na guitarra, Carlinhos Vas na programação eletrônica, samplers e bateria e o roqueiro mais antigo do Brasil, o lendário gaitista Mestre Laurentino.

A viagem, diz Carlinhos, só foi possível com o apoio da Secretaria de Cult ura do Estado, Fundação Tancredo Neves, loja Ná Figueredo e da vereadora Vanessa Vasconcelos, irmã de Carlinhos.

SELECIONADOS - Unindo tradição e novidade, compromisso social e divertimento, música brasileira e world music, o Coletivo Rádio Cipó foi selecionado com um dos melhores shows de 2008 realizado pela mostra. Os outros selecionados foram o Samba de Rainha (SP), Andréia Dias (SP), Leonardo Cavalcanti (SP), Karina Buhr (PE), Claudia Dorel (SP), Turbo Trio (RJ), Oké Arô (SP) e Julia Car (SP).

Com curadoria dos jornalistas culturais Pedro Alexandre Sanches e Patrícia Palumbo, o projeto Prata da Casa vem abrindo espaço na noite paulistana para os nomes que farão o futuro da música popular brasileira. “Em São Paulo as pessoas assistem numa mesma noite a um show do interior de Cuba, um da Espanha e outro do sertão de Pernambuco. Por essa diversidade de opções, o público é mais exigente. Se vai a um show, é porque gosta”, analisa Carlinhos. Tanto que nem a concorrência do showdo Radiohead, que acontece no mesmo dia, assusta os paraenses.

PROJETOS - Além de banda, o coletivo funciona ainda como incentivador da cultura local e viabilizador de projetos sociais. “O público tem o conceito que o coletivo é uma banda, mas através dos nossos projetos estamos conseguindo demonstrar que somos um núcleo de produção de mídia sonora e audiovisual e que também utiliza ferramentas da educação não formal para contribuir na formação de crianças e jovens da periferia de Belém”, explica Carlinhos. Entre os mais recentes projetos estão o Ponto de Cultura Rede Rádio Cipó de Comunicação Digital, inscrito em parceria com a Associação Integra Belém no Edital Mais Cultura, da Secretaria de Cultura do Pará e do Ministério da Cultura.

Há ainda a Escolinha de Música Mestre Laurentino, que através da Fundação Carlos Gomes viabilizou a aquisição de equipamentos de tecnologia digital e instrumentos musicais para oficinas com crianças e jovens em situação de vulnerabilidade social. O CRC também trabalha com o lançamento de materiais fonográficos de artistas paraenses como Mestre Laurentino, a compositora de carimbó chamegado e bolero Dona Onete e o compositor de carimbó e brega Mestre Bereco.

Atualmente, o Rádio Cipó está em fase de produção dos primeiros CDs de Dona Onete e Bereco, e na pré-produção de um acervo do Mestre Laurentino, contendo dois CDs, um DVD e um livro biográfico com fotos. Entre os planos futuros do CRC está uma turnê que percorrerá dez capitais brasileiras de ônibus, com apoio da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin) e patrocínio de editais de cultura. Membros da associação como Paulo André, produtor do Abril pro Rock, de Recife, já toparam dar suporte técnico para a empreitada, que terá a renda dos shows revertida em doações de livros, brinquedos e alimentos para a população carente de cada cidade visitada.

SERVIÇO: Show do Coletivo Rádio Cipó. Hoje, às 22h, dentro do projeto Casarão Live, no Café com Arte (travessa Rui Barbosa, 1.437). Ingressos:R$ 10 (sem CD) e R$ 20(com CD).

Fonte: http://www.diariodopara.com.br/noticiafull.php?idnot=34830 (Diário do Pará)

quarta-feira, 18 de março de 2009

Histórias que o rádio conta

Por Adolfo Rondon

Locutor afoito
Lá pelos idos de 1971, um locutor portador de um grande vozeirão, com postura de radialista, estreava na Rádio Clube de Corumbá. Naquela época as revelações surgiam seguidamente nos microfones das emissoras Clube e Difusora, as únicas da Cidade Branca.
O novo locutor estreou como noticiarista, apresentando os boletins informativos de hora em hora. Sempre tinha um patrocinador, nesse caso era o antigo BEMAT-Banco do Estado de Mato Grosso. Era de praxe anunciar antes de cada notícia, o nome da cidade onde o fato aconteceu ou estava ocorrendo. Por exemplo, Brasília, Cuiabá, Paris e assim por diante. O locutor estreante começou bem o dia, foi um sucesso até que no embalo da voz dramática que era imposto na época, vociferou em alto e bom tom, ao se referir a uma notícia da Colômbia, mais precisamente de sua capital Bogotá. Após encher o peito o novato disse: - E atenção para a última notícia. Bogóta...
JUJUBA
E o mesmo locutor, no dia seguinte ao iniciar o noticiário da Rádio Clube, ao falar de uma nota que envolvia a Faculdade de Engenharia Elétrica da cidade mineira de ITAJUBÁ, referiu-se a esse município da seguinte forma: “ITAJÚBA”.
Não deu outra, tiraram o novato do ar, que tempos depois foi reabilitado pela Rádio Difusora, possuindo hoje curso superior e ocupando importante cargo público.
Sangue de rádio...
O Hospital de Corumbá sempre que necessitava de sangue ligava para as emissoras de rádio da cidade(Clube e Difusora), solicitando aos doadores que fosse até ao banco de coleta, se tivesse o tipo sanguíneo solicitado no ar, compatível com o acidentado ou operado.
Numa dessas o locutor do horário faltou e um substituto apareceu para anunciar e com voz em tom dramático fez o pedido com tom quase embargado para sensibilizar os doadores: “Atenção, atenção, o hospital de caridade precisa com urgência de sangue tipo H2Ó”, repetindo por diversas vezes a cada intervalo musical. Até que explicaram a ele que isso era água e não sangue...
Bang-Bang
No auge do bang-bang italiano o Cine Anache fazia chamadas brilhantes dos filmes que seriam exibidos em sua tela.
Todas as propagandas dos filmes para a Rádio Clube eram gravadas. Teve uma que não houve tempo de ser gravada, então a chamada foi feita ao vivo.
A fita a ser exibida dentro em breve era “O reverendo do Colt 45”. O locutor do horário anunciou várias vezes no ar: “Brevemente no seu Cine Anache, com ar-condicionado perfeito, estará em cartaz: “O revendedor do Colt 45”. Até que apareceu alguém para alerta o locutor sobre o título correto.
Teste
Na chamada época de ouro da radiofonia corumbaense, o sonho de todo jovem ou adolescente era ser locutor de rádio e periodicamente eram feitos testes nas duas emissoras de Corumbá: Difusora e Clube. As filas para participar dos testes viravam a esquina da Rua 15 de Novembro, pois a Rádio Clube funcionava na sobre-loja do Cine Anache na Delamare.
Os garotões na fila de espera esfregavam as mãos contando os minutos de chegar à vez deles. Os responsáveis pelos testes era o falecido empresário Fauze Anache e o Edmundo Alvarez, um sonoplasta competente e amigo da família. Vários passaram a fazer o teste e nenhum aprovado nesse dia.
A emissora da Delamare era conhecida como Sociedade Rádio Clube de Corumbá, uma emissora da Organização Farjalla Anache. Teve um garoto que leu o texto no ar: “Sociedade Rádio Clube de Corumbá, uma emissora da Organização FRAJOLA Anache”. Com certeza era assíduo leitor da revistinha infantil que contava as peripécias da dupla “Piu-Piu e Frajola”...
Fonte: http://www.pantanalnews.com.br/contents.php?CID=22918

O Direito Autoral no Brasil: novos e velhos problemas

O Direito Autoral volta a ser amplamente discutido e os temas da moda parecem ser a crescente pirataria fonográfica e o compartilhamento de artigos em MP3, sistema que possibilita a reprodução e gravação de música com qualidade digital, através da INTERNET. Apesar de importantes, tais temas estão levando a discussões excessivas e por vezes desorientadas. A pirataria é efetivamente preocupante: ela rouba artistas e produtores, sonega impostos e inunda o mercado com produtos falsos e de baixa qualidade, iludindo também o consumidor. No entanto, tratando-se de um ilícito penal já tipificado (crime contra a propriedade intelectual), o remédio para combatê-la é um só: maior ação do Estado e da sociedade contra os fabricantes e distribuidores piratas. Trata-se de um caso de (mais) polícia, nada mais que isso. Já a questão do intercâmbio de arquivos em MP3 parece mais complexa, pois muitos pensam que tal tecnologia, só por ser amplamente disponível e de fácil acesso, automaticamente anularia toda a proteção autoral concedida às obras musicais, cujo uso estaria liberado e isento do pagamento de direitos. O argumento é absurdo: seria como dizer que só porque existem armas de fogo disponíveis no mercado, matar alguém deixaria de ser crime e todos teriam liberdade para fazê-lo.
O fato é que disponibilizar e distribuir, desautorizadamente, obras de terceiros pela INTERNET também constitui ato ilícito, previsto na nova Lei brasileira de Direito Autoral (Lei 9.610/98). Muitas legislações sobre Propriedade Intelectual punem rigorosamente os provedores e responsáveis por sites que distribuem obras musicais sem respeito ao direito de autor.
Que ninguém se deixe enganar: a mesma tecnologia que permite disponibilizar facilmente obras pela INTERNET, também já está sendo usada para coibir o uso ilegal de obras musicais na rede, e para isso já foram criados vários dispositivos de fiscalização e proteção, entre os quais o SDMI (Segurança da Música Digital, sigla em inglês). No entanto, enquanto se discute tais questões, um problema gravíssimo continua a ocorrer, no Brasil, sem a devida atenção da opinião pública. Trata-se de outro tipo de pirataria: é a falta de pagamento dos Direitos de Autor por inúmeros usuários de obras musicais, principalmente rádios, TVs e grandes casas de espetáculos.
Contrariando a lei (que manda pagar) e valendo-se da morosidade da Justiça, tais usuários sistematicamente deixam de recolher direitos autorais ao ECAD, órgão de arrecadação pertencente aos artistas, sob os mais absurdos pretextos. Sexto mercado de discos do mundo, o Brasil tem um potencial de arrecadação de direitos autorais da ordem de 350 milhões de dólares ao ano, mas com a sonegação daqueles usuários, somente um terço desta quantia é efetivamente paga aos nossos criadores e produtores musicais. Neste momento, somente a dívida (ajuizada) de alguns órgãos de radiodifusão para com o ECAD chega a 200 milhões de dólares; as TVs a cabo, instaladas há quase sete anos no país, jamais pagaram um único centavo de direitos autorais. Mais ainda: infiltrados na Câmara Federal, alguns donos de emissoras chegaram a criar uma "CPI do ECAD", na qual devedores inadimplentes e sonegadores de direitos arrogaram-se o direito de denegrir e intimidar o órgão credor, em nome de interesses pessoais. Isso ocorreu, inclusive, com a complacência até de alguns deputados do PT, por desinformação ou ignorância. O Direito Autoral no Brasil só se afirmará quando as rádios, TVs e grandes usuários pagarem o que efetivamente devem aos titulares de obras. Enquanto estivermos arrecadando e distribuindo migalhas, jamais se fará justiça aos criadores de nossa música.
*Marcus Vinícius é compositor e presidente da AMAR-SOMBRÁS (Associação de Músicos, Arranjadores e Regentes - Sociedade Musical Brasileira)

Ladrão furta transmissor da Rádio Transamérica FM

Durante a noite de domingo, ladrões não identificados arrombaram a porta do prédio que abriga os equipamentos da torre de transmissão da Rádio Transamérica FM, localizado na rodovia Faria Lima, e furtaram o transmissor, deixando a rádio fora do ar. O furto do equipamento, que já foi comunicado inclusive à Polícia Federal, está sendo investigado pela equipe do 3º Distrito Policial. O equipamento, semelhante a um gabinete de computador, é responsável pela transmissão dos sinais da rádio. A direção da Rádio Transamérica FM já providenciou a instalação de um novo transmissor, para que a rádio seja recolocada no ar o mais breve possível.

Câmara aprova 34 concessões de radiodifusão; 4 são do Tocantins

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou nesta terça, 17, 34 projetos de decreto legislativo que autorizam ou renovam concessões de serviços de radiodifusão em vários estados. Dentre essas, 4 projetos são de entidades do Tocantins. As propostas, da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, que é presidida pelo deputado tocantinense Eduardo Gomes (PSDB) tramitam em caráter conclusivo e seguem para a análise do Senado.
Confira os projetos tocantinenses aprovados:
Associação dos Artesãos e Artistas de Lajeado - Lajeado
Associação Comunitária Nossa Senhora da Abadia - Lagoa da Confusão
Rádio Som Alvorada Ltda. - Formoso do Araguaia
Rádio Som Araguaia de Palmas Ltda. - Nova Olinda
(Maurílio Ricardo, com informação da Agência Câmara)
Fonte: http://www.jornalstylo.com.br/noticia.php?l=cce96e7efed512feca6ed60dd9a0554b

terça-feira, 17 de março de 2009

Ministério das Comunicações autoriza mais 162 rádios comunitárias




Serviço já cobre 99,86% do território nacional


Mais 162 entidades representantes da comunidade em diversos municípios brasileiros receberam, em 2009, a autorização do Ministério das Comunicações para operar o serviço de radiodifusão comunitária. As portarias de autorização foram publicadas no Diário Oficial da União dos dias 7 e 13 de janeiro.
Agora, os processos seguem para o Congresso Nacional, onde serão analisados e aprovados. Somente após a publicação de um Decreto Legislativo, as rádios comunitárias recebem uma licença definitiva de funcionamento.
A equipe do Ministério das Comunicações trabalha para que todos os municípios tenham sua emissora. Já foram abertas inscrições em 99,86% deles e, atualmente, há 3.652 emissoras legalizadas. Só em 2008, 374 entidades receberam autorização para executarem o serviço de radiodifusão comunitária.
Para saber como montar uma rádio comunitária, basta acessar a página do ministério na internet (http://www.mc.gov.br/). Estão disponíveis cartilhas e manuais de orientação, além de todos os formulários que devem ser preenchidos.


Criar é trabalhar, só falta consciência !




A idéia de que criação artística não é trabalho é um preconceito que, como os demais, leva a proposições nocivas. Ela serve, por exemplo, de justificativa para quem entende que a produção artística não deve e não precisa ser paga. E para aplacar a consciência de quem não gosta de pagar direitos autorais.

Esse é um problema e tanto no Brasil. O calote é enorme. Somente na área de radiodifusão, cerca de 40% das emissoras de tevê e rádio se recusam a pagar os direitos de transmissão musical.

Gente que nunca admitiria deixar de receber pelo seu trabalho, que considera absurdo que um agricultor ou um operário não seja pago e que aceita que o investidor receba seus dividendos, considera natural que um escritor, um músico ou outro artista não receba pela distribuição, exibição e uso de sua obra.

Quanto tempo de estudo, treinamento e ensaio é preciso para formar um artista? Quanto de suor do ator, do músico ou do pintor tem uma obra? A arte não é só um dom natural ou divino. Não há obra de arte sem transpiração. Picasso disse sobre a inspiração: "Sempre que me procurou, ela me encontrou no mesmo lugar: trabalhando no meu ateliê".

Este "Blog do Autor", que o Portal SRZD lança no momento em que o Ministério da Cultura prepara um projeto de reforma da legislação do direito autoral, pretende ser um espaço para que o escritor, o compositor, o músico, os autores em geral possam expressar os seus pontos de vista sobre o tema e, também, para manifestações de todos os interessados em participar do debate.

Fonte: Blog do Sidney / http://www.sidneyrezende.com/noticia/32945+criar+e+trabalhar

Professora defende municipalização de outorgas para rádios comunitárias

Por Sabrina Craide

Transferir aos municípios a responsabilidade de autorizar o funcionamento das rádios comunitárias poderia agilizar o processo de concessão de outorgas e promover maior participação dos cidadãos na radiodifusão local.

A idéia é defendida pela jornalista, radialista e professora Adriane Lorenzon. Segundo ela, cada município poderia criar uma lei definindo suas próprias regras, de acordo com a realidade local.

Hoje, as outorgas para rádios comunitárias são concedidas pelo Ministério das Comunicações e autorizadas pelo Congresso Nacional. Esse trâmite, segundo a professora, torna o processo lento e acaba inviabilizando a instalação de algumas rádios. Ela também argumenta que os órgãos federais têm dificuldades para fiscalizar o funcionamento de todas as rádios comunitárias do país.

Para Adriane, não são necessárias modificações na legislação atual para que as outorgas possam ser concedidas pelos municípios. Segundo ela, a Constituição Federal, prevê, no artigo 5º, a livre expressão de comunicação, independentemente de licença. Ela também aponta o artigo 30, que diz que os municípios são responsáveis por legislar sobre assuntos de interesse local.

Já o consultor jurídico do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara, diz que a idéia é inconstitucional. Segundo ele, o artigo 21 da Constituição Federal diz que a competência para legislar sobre matéria de radiodifusão e telecomunicações é exclusiva da União.

Além disso, Bechara argumenta que, de acordo como o artigo 223, o Poder Executivo é responsável por outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de radiodifusão.

"Teria que ter uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que explicite que, quando se tratar de radiodifusão comunitária, a competência poderia ser atribuída ao município", afirma.

A professora admite que, ao transferir para a esfera municipal a outorga das rádios comunitárias, há um risco maior de casos de corrupção e favorecimentos políticos. "Por isso, o processo de municipalização precisa criar mecanismos para evitar esses favorecimentos, como a formação de conselhos comunitários compostos por representantes de vários segmentos da sociedade", defende.

Bechara não concorda com a idéia de que a municipalização das outorgas poderia agilizar o processo de concessão.

"Às vezes o município pode estar mais burocratizado do que a União". Ele reconhece, no entanto, que o fato da decisão ser tomada em âmbito municipal pode ser favorável. "Ninguém melhor que os administradores locais para conhecer a situação do município", diz. Para o consultor jurídico, o assunto é interessante para ser discutido na Conferência Nacional de Comunicação, que será realizada este ano.

Adriane Lorenzon é autora do livro Poder Local No Ar: municipalização das rádios comunitárias e fortalecimento de esferas públicas locais no Brasil, resultado de sua pesquisa para o mestrado em comunicação na Universidade de Brasília.
Fonte: Agência Brasil / http://www.comuniweb.com.br/?idpaginas=20&idmaterias=406872

Destaques do Carnaval - Música e Rádio

Dentre milhoes de Flashs coberturas, aparições, lobbys e entrevistas etc etc

Destacamos A atitude da Cantora Aline Rosa do Cheiro de Amor falando da Preocupação Ambiental com o lixo produzido e a coleta seletiva e destacou "Essa roupa que estou vestida é feita de material reciclado a qual eu trouxe um pedacinho de cada apresentação feita pelo brasil a afora e dei apara minha estilista fazer a minha roupa de me apresentar aqui hoje" finalizou.
Outro momento impar foi uma entrevista veiculada na Radio Bahia Fm em que um entrevistado falava na sugestão de se criar um quarto circuito para o Carvanal da Bahia e sugeriu a área do comércio e ele dizia "ontem eu estava até conversando com Moraes Moreira lá em Brasilia sobre isso".
É incrível ver como a Rede Bahia (Bahia Fm, Tv Bahia, Ibahia.com...) detem o poder de manipulação sobre as pessoas inclusive de outras emissoras co-irmãs. Pois o lobby feito em cima da Música "cadê dalila" de autoria de Carlinhos Brown foi pesado. Sem deixar de considerar que a baixa qualidade das composições "para o carnaval" contribuiram também para isso. A disputa interminável "beijar na boca-Claudia Leitte" ou "Cadê Dalila-Ivete Sangalo."
A música Flutuar do Chiclete com Banana que por incrivel que pareça tem até uma mensagem de carnaval... um instrumental mais ou menos e sua falta de excução massiva deve ser exatamente pela pouca letra que tem, pois, quanto menos letra maior a possibilidade de ser executada, "cantada" e implorada pelos pulantes do carnaval de fevereiro...
Se tivesse o premio para música popular brasileira mais executada certamente "Pais Tropical" do Jorge Benjor levaria o prêmio fica aí a sugestão para os entregadores de premios mil... E se coubesse ainda uma outra categoria musical tal tipo: música hino mais tocada este ano acredito que quem levaria seria "We are the world of Carnaval"...
Outras canções também são bem executadas tais como: "erva venenosa - rita lee", "Eva - Radio Taxi"
Toda imprensa está de Parabens pois só o fato de estar em qualquer veiculo de comunicação ocupando qualquer que seja a função já é motivo suficiente para ser considerado heroi principalmente em cobertura de Carnaval de Rua o que exige todo profissionalismo e experiencia que se tiver... Mas não posso deixar de falar da inoperância de parte equipe da Tv Bahia em 2008 foi o comentário na faculdade de comunicação e este ano eles repetiram a dose Patricia Nobre e seu carisma forçado Marrom e toda sua inabilidade diante das cameras para completar Wanda Chase e todo seu ar de superioridade fecharam a pior equipe de transmissão externa do Carnaval baiano.

Diretor da Jovem Pan visita Rádio ABC 900 em Novo Hamburgo.


A Rádio ABC 900 AM recebeu ontem a visita do diretor da Jovem Pan Sat, Calil Bassit. O representante da tradicional emissora da capital paulista veio conhecer a sede do Grupo Sinos, em Novo Hamburgo, onde funciona a Rádio ABC. Desde quarta-feira passada, a emissora hamburguense é integrante da rede de rádios da JP. A nova programação conta com três noticiários diários, além da inserção de pequenos programas de jornalismo intercalados com notícias locais. A maior parte da programação da ABC, segundo o diretor Rodrigo Giacomet, segue tendo como prioridade os fatos regionais.
"A Rádio ABC se tornou desde esta semana nossa correspondente no Rio Grande do Sul. Com a adesão da rádio de Novo Hamburgo, temos agora emissoras afiliadas em todos os Estados do Brasil’’, explicou Bassit. O diretor da Jovem Pan destacou o significado da adesão da emissora do Grupo Sinos. "Todos sabemos da importância que tem esta região na economia estadual e nacional. Por isso, é fundamental contar com a participação da ABC na parceria de jornalismo’’.
A Jovem Pan, de São Paulo, foi ao ar no dia 3 de maio de 1944, quando foi inaugurada – como Rádio Panamericana S.A. Em novembro daquele ano, a emissora foi comprada por Paulo Machado de Carvalho, passando a integrar o Grupo de Emissoras Unidas. Em 1964, Antonio Augusto Amaral de Carvalho, um dos filhos de Paulo Machado, assumiu novamente a direção da emissora. O nome Jovem Pan surgiu em 1965. Atualmente, a sede da rede, que conta com 84 afiliadas AM e 54 FMs, é na Avenida Paulista, Centro de São Paulo.
Credibilidade alcançada em 65 anos no ar
O diretor Calil Bassit, que participou do programa Fórum Esportivo Debates ao lado de Rodrigo Giacomet, destacou a credibilidade alcançada pela Jovem Pan nos 65 anos de história. "Recebemos a menor fatia de publicidade do governo federal entre as grandes rádios de São Paulo. Mas nem por isso deixamos de fazer nossas matérias, buscando a verdade dos fatos, doa a quem doer. Isso demonstra a seriedade da Jovem Pan, que encontrou o Grupo Sinos como parceiro nessa trajetória’’, disse Bassit.

Fonte: Portal Diário de Canoas On-line

Tom Zé anuncia lançamento de álbum que estará disponível para download gratuito na internet

por Regiane Teixeira


João Marcelo Bôscoli e Tom Zé anunciam lançamento de projeto que disponiliza álbuns para download gratuito
Foto: Regiane Teixeira“Eu sabia que o mp3 ia trazer vocês!”, anuncia o músico Tom Zé para os jornalistas ao chegar à entrevista coletiva do anúncio do lançamento de seu novo CD que estará disponível na internet para download gratuito. A frase de Tom Zé é a introdução para a conversa sobre a distribuição de música gratuita pela internet que será agora feita com álbuns inteiros de artistas renomados pela gravadora Trama. A empresa lança nesta sexta-feira, 20, o “Álbum Virtual”, um ambiente em seu site onde será possível baixar discos de maneira legal e gratuita.
Na estréia do projeto, Tom Zé lança a versão ao vivo do disco “Dança-Êh-Sá – A Dança dos Herdeiros do Sacrifício”, que foi gravado para um programa de TV em 2007. Neste trabalho, o baiano apresenta músicas sem letra, compostas apenas com ruídos e onomatopéias. A idéia do álbum surgiu a partir de uma pesquisa realizada com jovens em que o resultado mostrou que eles não se importam com as letras das músicas que ouvem. Antes de ir para as lojas no formato convencional, o álbum estará disponível para download gratuito durante três meses no site www.albumvirtual.trama.com.br.
Segundo o presidente da Trama, João Marcelo Bôscoli, nesse sistema o artista recebe um pagamento de um patrocinador para ter seu álbum disponibilizado na rede. “Hoje não existe crise na música, existe uma crise na área das mídias pré-gravada”, afirma. “A TV aberta foi uma inspiração para esse modelo de negócio, os patrocinadores pagam sem ter interferência nenhuma na obra.”
No novo site, o álbum fica disponível na web gratuitamente por um tempo limitado e são disponibilizados ainda o encarte do CD, as letras das músicas, imagens, vídeos e versões exclusivas. Além disso, os arquivos não têm proteção DRM, ou seja, ao baixar o conteúdo o usuário pode deixar a música no computador, gravar em CD ou em um pendrive, por exemplo. Entre os próximos artistas cotados para fazer parte da iniciativa estão nomes como Ed Motta e o grupo CSS (Cansei de Ser Sexy), ainda sem data definida para terem os seus álbuns no ar.

segunda-feira, 16 de março de 2009

PRESIDENTE LULA TRAIU O COMPROMISSO FIRMADO COM AS RÁDIOS COMUNITÁRIAS

O ano passado acabou para as rádios comunitárias com duas notícias, uma boa e uma ruim. A boa é que a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara dos Deputados, ninho dos parlamentares donos de emissoras comerciais, aprovou projeto substitutivo (PL nº 4549/98) do deputado Walter Pinheiro (PT-BA) anistiando os que foram punidos por colocar rádio no ar sem autorização. É o tipo de coisa que só acontece a cada cem anos. A notícia ruim é que o governo Lula encaminhou ao Congresso Nacional Projeto de Lei (nº 4573/08) que aumenta mais ainda a repressão sobre as rádios comunitárias. Isto é, quando todo mundo esperava que o governo do PT fosse apoiar a proposta avançada de Walter Pinheiro (companheiro de partido!), agora tramitando na última comissão da Câmara, ele manda uma outra absurdamente reacionária.
Por que o governo Lula encaminhou Projeto de Lei tão ruim para o Congresso Nacional poucos dias depois da Câmara aprovar o substitutivo de Walter Pinheiro? A intenção do governo era atrapalhar o processo ou impedir avanços? Estamos tratando de má-fé do governo para com as rádios comunitárias? Quem articulou politicamente este projeto? Alguma entidade colaborou com ele?
Má-fé e retrocesso
Dizem fontes seguras que a história desse projeto começou em setembro do ano passado, quando representantes de entidades de rádios comunitárias estiveram com o ministro da Justiça, Tarso Genro. Desse encontro, e de um acordo posteriormente firmado entre o Ministério da Justiça, Ministério das Comunicações e Casa Civil, teria brotado a proposta.
sobre esse encontro com Tarso Genro. Fiz duas sugestões ao governo:
1. O Executivo deveria parar de continuar enrolando o movimento das rádios comunitárias.
2. O Executivo já sabe o que fazer. Não se admite mais que erre em questões primárias.
Está claro que esse PL não é um erro, mas uma opção política, um ato de má-fé e um retrocesso para a comunicação popular do país.
"Expor a perigo" a segurança
O que diz o PL 4573/08?
Ele começa mexendo numa velharia ainda viva contida no artigo 151 do Código Penal. A proposta elimina os incisos II, III e IV do parágrafo 1º do art. 151 do Código Penal (Decreto Lei nº 2448/40). Este fóssil jurídico, que ainda fala em coisas como "comunicação telegráfica ou radioelétrica" e em "aparelho radioelétrico", até hoje é usado pela Polícia Federal como justificativa para reprimir rádios não autorizadas. Eis o texto completo. A parte em negrito é a que o Governo pretende subtrair:
"Art. 151 – Devassar indevidamente o conteúdo de correspondência fechada, dirigida a outrem:
Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa.
§ 1º – Na mesma pena incorre:
I – quem se apossa indevidamente de correspondência alheia, embora não fechada e, no todo ou em parte, a sonega ou destrói;
II – quem indevidamente divulga, transmite a outrem ou utiliza abusivamente comunicação telegráfica ou radioelétrica dirigida a terceiro, ou conversação telefônica entre outras pessoas;
III – quem impede a comunicação ou a conversação referidas no número anterior;
IV – quem instala ou utiliza estação ou aparelho radioelétrico, sem observância de disposição legal".
Com o fim destes incisos, fica tudo resolvido? Não é bem assim. Trata-se de um engodo, uma armadilha. Porque o PL 4573/08 também propõe mudanças no Parágrafo 1º do artigo 261 do Código Penal.
Diz o texto original do Código Penal em vigor:
"Art. 261 – Expor a perigo embarcação ou aeronave, própria ou alheia, ou praticar qualquer ato tendente a impedir ou dificultar navegação marítima, fluvial ou aérea:
Pena – reclusão, de dois a cinco anos.
Parágrafo 1º – Se do fato resulta naufrágio, submersão ou encalhe de embarcação ou a queda ou destruição de aeronave:
Pena – reclusão, de quatro a doze anos" (grifo nosso).
E agora a proposta do governo de como deve ficar este parágrafo 1º:
"Parágrafo 1º-A Na mesma pena do caput incorre quem, mediante operação de serviços de radiodifusão, expõe a perigo a segurança de serviços de telecomunicações de emergência, de segurança pública ou fins exclusivamente militares, ou, ainda, o funcionamento de equipamentos médico-hospitalares" (grifo nosso).
Politicamente esperto
Observe que originalmente havia uma punição para quem "expõe a perigo" e outra punição no caso de "naufrágio... queda ou destruição de aeronave". Se o acidente acontecia, a punição era maior. Existe uma diferença muito grande nisso. O PL do governo diz que basta a pessoa expor a aeronave ao perigo (não precisa que ocorra o acidente) para que ela seja condenada à pena de reclusão de dois a cinco anos. Hoje, esse tipo de ameaça (reclusão) paira somente sobre aquelas emissoras sem autorização; se esse projeto for aprovado todas podem ser citadas.
Quanto aos riscos às aeronaves, como todo mundo sabe que rádio comunitária não derruba avião, os inimigos das rádios comunitárias nunca iriam ter um avião no chão que servisse de exemplo. Logo, estão tentando adequar o texto legal à ficção que criaram. Com isso, mudam um pouco a justificativa mitológica para repressão: a rádio não derruba avião, mas cria o perigo dele cair.
À parte os deslumbramentos de burocrata, tecnoburocrata ou carrapato do poder, que traz para os dias atuais expressões típicas dos tempos de Machado de Assis ("expõe a perigo") e a vontade férrea de defender o poder (e seu emprego), a redação do PL é uma tentativa escancarada de legitimar os abusos hoje cometidos pelos órgãos de repressão. É sabido que os inimigos das rádios comunitárias usam exatamente esses argumentos (interferência no sistema de aviação, na segurança e nos serviços de saúde) para cobrar mais repressão do Estado. Se hoje os agentes do Estado cometem abusos usando tais bobagens como argumento para fechar rádio, se este PL for aprovado eles estarão dentro da lei para enquadrar e botar na cadeia aqueles que, na sua opinião, merecem punição.
É preciso reconhecer: quem bolou isso, embora tenha mofo no cérebro, foi muito esperto politicamente.
O argumento de "derrubar avião
O mesmo Projeto revoga o Artigo 70 da Lei 4.117/62, mais um fóssil jurídico, este criado pela ditadura militar (Decreto 236/67) ainda hoje usado com pela Polícia Federal. E também estabelece que o artigo 183 da Lei 9472/97 (Lei Geral de Telecomunicações), muito usado pelos agentes da Anatel, não se aplica à radiodifusão.
Se as leis 4.117/62 e 9.472/97 não serão utilizadas para reprimir as emissoras comunitárias, imagina-se que agora se fará uso da legislação de rádios comunitárias, a Lei 9.612/98. Está errado quem pensou nisso. O óbvio não funciona na política. Ao invés de incluir na lei pertinente todas as punições de que o tema trata, o governo transforma o caso num crime de ordem penal.
Enfim, o que temos em resumo nessa primeira parte do projeto é:
1) O Código Penal – e não mais a Lei 4.117/62 ou a Lei 9472/97 – pode ser o instrumento central para reprimir as emissoras, autorizadas ou não.
2) Emissoras autorizadas ou não autorizadas podem ter seus equipamentos apreendidos e seus dirigentes podem ser submetidos ao processo penal. (Antes isso ocorria somente com as não-autorizadas).
3) No Código Penal substitui-se a pena de "detenção, de um a seis meses, ou multa (art. 151) por uma de "reclusão de dois a cinco anos" (art. 261). Trocou seis por meia dúzia mais um pouco.
4) A redação permite uma leitura subjetiva sobre a existência de crime. Um juiz, ou mesmo um desses agentes (!), pode achar que a emissora está provocando interferências em sistemas de segurança, equipamentos hospitalares (aparelho de tomografia?), telecomunicações e aeroviário e fechar a emissora. Hoje é assim. Fecha-se a rádio sob o argumento de que pode derrubar avião. Claro que há um lado otimista: juízes e agentes da Anatel de bom senso vão querer provas antes de fecharem a emissora.
"Apoio cultural"
Para as emissoras não-autorizadas no ar, não bastasse a incursão no Código Penal, o governo propõe um tratamento especial. Diz o texto do seu PL:
"Art. 21– A operação de estação de radiodifusão sem autorização do poder Concedente constitui infração gravíssima sancionada com a apreensão dos equipamentos, multa e a suspensão do processo de autorização de outorga ou a impossibilidade de se habilitar em novo certame até o pagamento da referida multa".
A novidade é que antes o diretor da entidade era "apenas" indiciado em processo na Polícia Federal. Agora, além do indiciamento e da possibilidade de ser preso, e da apreensão dos equipamentos, ele e a entidade recebem uma outra punição: o processo da rádio ao qual está ligado fica paralisado até o pagamento da multa.
O PL propõe modificações no artigo 21 da Lei 9.612/98 (lei das rádios comunitárias), o que trata das infrações cometidas pelas rádios.
Com relação à publicidade, por exemplo, fica valendo o artigo 18, em vigor, que admite a propaganda apenas como "apoio cultural". Mas o que é apoio cultural? A nova proposta do governo é medíocre porque não leva em conta que "apoio cultural" é um conceito sem definição. A norma operacional 01/04 (art. 19.6.1) diz que considera apoio cultural a "divulgação de mensagens institucionais". Mas o que são "mensagens institucionais"? Isso só quem sabe é o agente repressor. O mesmo que aplica a multa quando acha que a rádio está descumprindo esse artigo.
Estado contra o povo
O Capítulo XI, do Decreto 2.615/98, que trata das infrações cometidas pelas rádios comunitárias, lista 29 motivos para punir. Mas não tem aí a questão da publicidade. Hoje, a Anatel multa, mas sem uma base legal. Portanto, esta mudança proposta pelo governo visa a atender aos interesses dos agentes repressores, que precisavam de uma base legal para fazer o que já fazem hoje.
Deve-se considerar que para uma comunidade pobre conseguir recursos para pagar a multa imposta pelo poder público não é fácil. Na falta de recursos, a cobrança vai para dívida pública e os projetos sociais ligados à entidade são vetados – e assim também a própria rádio. Centenas de rádio foram multadas por operarem sem autorização ou por colocarem no ar publicidade que, segundo os agentes, infringe a lei.
A multa é um instrumento de repressão política. Uma estratégia cruel: é criando dívidas que você aniquila o pobre. É o Estado contra o povo brasileiro. A serviço das elites econômicas (e não somente do campo da comunicação), o Estado faz uso desse instrumento.
Uma proposta ridícula
O destaque no projeto do governo é sua ênfase no combate ao proselitismo. Sua proposta estabelece como "infração gravíssima" a prática do proselitismo de qualquer natureza. Mas o que é "proselitismo"? A Lei 9.612/98, em pelo menos dois artigos (art. 4º, parágrafo 1º; art. 11), já faz o veto ao domínio das rádios comunitárias pelas igrejas e ao proselitismo que praticam. Mas, curiosamente, os agentes da Anatel e da PF nunca encontraram isso. Centenas de rádios são dominadas por padres e pastores e eles nada vêem. Em Copacabana, em Brasília, as antenas são maiores do que as torres das igrejas, se avistam a quilômetros, mas nem a PF nem a Anatel conseguem ver. São antenas invisíveis – talvez por razões espirituais. Ou seriam econômicas?
Estudo feito no ano passado pelo professor Venício Lima e pelo consultor legislativo Cristiano Lopes revela aquilo que todo mundo já sabia, mas não tinha provas: o Ministério das Comunicações distribui autorizações de rádios comunitárias para políticos, padres e pastores aliados. Por que o Ministério da Justiça não apura essas denúncias? Por que não descobre quais os servidores públicos envolvidos nesta indecência? Por que a Polícia Federal, a Abin, o FBI, sei lá, não investigam a participação do ministro Hélio Costa nesta distribuição de rádios? Por que a Polícia Federal não investiga como a Igreja Católica conseguiu autorização para mais de 200 rádios ditas comunitárias, se isto é ilegal, imoral, indecente? Por que o Ministério da Justiça não investiga o que ocorre dentro da Casa Civil, aonde montaram um balcão para distribuir rádios comunitárias para X e Y?
Fazer este tipo de coisa, depurar o setor, é muito mais do feitio do Ministério da Justiça e seria muito mais saudável para sociedade, do que fazer alianças com outros ministérios e apresentar esta proposta ridícula de projeto. A gente esperava mais de Tarso Genro e sua equipe.
* Dioclécio Luz é jornalista, mestrando em comunicação pela UnB, autor de "A arte de pensar e fazer rádios comunitárias".
NAS ONDAS DO AR
As rádios comunitárias devem morrer
Dioclécio Luz
Jornalista, escritor, diretor do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, integrante da "Campanha contra baixaria na TV".
Quando a conversa acaba vem a bala, o cassetete, a cadeia, ou, pior, o silêncio. O silêncio dos cemitérios. É assim hoje no Brasil. A Anatel e a Polícia Federal, arautos do Estado, todo dia calam a voz daqueles que há 500 anos tentam falar. Fecham rádios comunitárias, rádios de baixa potência, porque, segundo eles, elas servem a grupos terroristas e planejam derrubar avião, interferir nos serviços de segurança, servir ao narcotráfico. Por isso tratam essa gente brasileira como se trata traficante: armados de fuzis e metralhadoras. Os agentes do Estado – digo, do Estado neoliberal-popular (transgênico, portanto) – ocupam salas e residências, berram "teje preso!". Algemam e levam para a cadeia os "marginais perigosos", quem tenta fazer rádio comunitária. Levam no camburão, que é para mostrar quem manda. E quem manda são eles.
É o tempo do medo.
O governo Luiz Inácio Lula da Silva decretou morte às rádios comunitárias.
Na repressão às rádios, atuam a Anatel e a Polícia Federal. Mas a Polícia Militar e até a Polícia Civil já se apresentaram para a nobre causa de calar a voz do povo. Mais um pouco e até guarda noturno vai querer prender quem faz rádio comunitária.
Depois de dois anos no governo, Lula continua insistindo em tratar rádio comunitária como caso de polícia ou de cartório. De polícia quando a rádio não tem o papel (a autorização) fornecido pelo cartório que é o Ministério das Comunicações (MiniCom). De cartório porque o MiniCom mantém uma burocracia que emperra o processo de legalização das rádios comunitárias. Intencionalmente, diga-se de passagem. Porque, se quisesse, poderia fazer bem mais. Mas isto é assunto para linhas adiante.
Poder divino
Primeiro, veja-se a polícia. Neste momento mais de mil pessoas estão sendo processadas por operarem emissoras clandestinas. De acordo com documentos oficiais da Polícia Federal, as prisões em alguns estados são feitas com base no artigo 70 da Lei 4.117/62, o Código Brasileiro de Telecomunicações (CBT); em outros estados as ações são feitas com base no artigo 183 da lei 9.472/97, a Lei Geral de Telecomunicações (LGT).
Por que usam esses dispositivos? Porque os dois garantem cadeia para quem opera sem autorização. Poderiam usar, quem sabe?, um dispositivo menos duro, um que manda fechar, ou que dá advertência – no extremo, apreender os equipamentos... Mas, não, é preciso botar na cadeia! É preciso humilhar!
Em outubro passado, uma delegada da Polícia Federal, em Guarulhos (SP), enquadrou os que faziam uma rádio sem autorização por "formação de quadrilha". Ao fazer isso, ela sabia, estava tirando o direito das pessoas de pagarem fiança e responderem o processo em liberdade. Ela queria humilhar. Na verdade, ela julgou e condenou os autores do "crime" à pena máxima: serem colocados no meio de bandidos, assaltantes, traficantes. Ela julgou e condenou essas pessoas à humilhação.
A emissora fechada em Guarulhos era dirigida por um grupo de evangélicos. De fato, não era comunitária. Mas nenhum aparato de Estado tem o direito de fazer isso com as pessoas. Nenhum Estado decente pode ter esse poder de humilhar as pessoas. Nenhum agente público poderia fazer isso com um brasileiro. Quem deu esse poder à delegada? Quem lhe deu o direito de punir com a humilhação um grupo de evangélicos que queriam expressar sua fé? Aqui se acusa.
O responsável por tudo isso, por omissão ou cumplicidade, o que dá no mesmo, é o governo Lula.
Eficiência política
Em 2003, a Anatel e a Polícia Federal fecharam 4.300 rádios. Em 2004, graças à extraordinária eficiência destes órgãos, o número deve se igualar. É uma eficiência rara. Hoje, se falta dinheiro à PF, a Anatel paga combustíveis e diárias para os agentes. Se um juiz dá liminar pela abertura da rádio, a Anatel recorre! E vai mais: a Anatel está em campanha junto ao Judiciário tentando fazer a cabeça dos juizes, convencendo-os de que os aviões são feitos de lata e madeira comida de cupim e, por isso, podem ser derrubados por um transmissor de 25 watts.
Trata-se de uma grande mentira que a Anatel e as emissoras comerciais propagam por todo país. Se um transmissor de 25 watts ou de 25 mil watts derrubasse avião ninguém deveria andar nesses troços. E terroristas poderosos, como Bush e bin Laden, ao invés de bomba, usariam tal expediente para suas ações. Sairia bem mais barato.
A Anatel, é bom não esquecer, foi criada no governo Fernando Henrique Cardoso para atender ao mercado. Por isso ela tem esse formato transgênico: por fora, em suas ações, é mercado; por dentro, é sustentada com recursos públicos.
De um modo geral, as agências se constituem na melhor invenção do mercado. Eis um órgão público, mantido pelo Estado, com servidores concursados, mas que deve ser "independente", isto é, estar a serviço do mercado. Por isso a Anatel é tão eficiente em coibir as rádios de baixa potência e tão ineficiente quando se trata de fiscalizar o mercado.
Em meados de novembro deste ano, o Tribunal de Contas da União denunciou que a tecnologia usada pela Anatel para fiscalizar as empresas telefônicas era obsoleta. Isto é, não funciona. Quando se trata de rádios comunitárias a Anatel utiliza o artefato mais caro e moderno que existe, mas quando se trata de fiscalizar o mercado mantém um sistema obsoleto. Por quê? Porque não é para funcionar quando se trata do mercado.
Em outubro passado, em Brasília, o Ministério Público determinou às telefônicas que tirassem suas torres das proximidades de escolas e hospitais por representarem riscos à saúde. Imediatamente apareceu um técnico da Anatel dizendo que isso seria complicado (isto é, caro) para as empresas, e que não havia riscos. Por essas e outras é que, quando alguém anuncia que vai mexer na Anatel, tudo que é dono de empresa telefônica, concessionário de rádio ou TV comercial sai em defesa do órgão.
Será que o governo Lula não sabe disso? Será que vai insistir no modelo das agências? Será que o governo não sabe que as agências se constituem num dos pilares de sustentação do projeto neoliberal? Ele não sabe que uma sociedade mais justa nunca acontecerá num estado neoliberal?
Trata-se, portanto, de uma questão política. E política de Estado. A repressão às rádios se dá dentro deste contexto. Um contexto de fatos vergonhosos, como a ação policial e da Anatel com eficiência e modos similares aos tempos da ditadura militar.
A Anatel e a PF usam dispositivos criados pela ditadura militar. É o caso do artigo 70, da Lei 4.117/62, que pune com até 3 anos de cadeia quem opera sem autorização. O artigo foi adicionado à lei por um Decreto-lei (236/67) assinado pelo general Humberto de Alencar Castelo Branco. A função desse artigo, à época, era botar na cadeia "os inimigos do regime". Como ele se encontra em vigor até hoje, acredita-se que os inimigos do regime são o povo brasileiro, que insiste em viver e em querer se comunicar.
O outro dispositivo usado para reprimir é a Lei Geral de Telecomunicações (artigo 183, cadeia de 2 a 4 anos), obra do homem que privatizou o país, Fernando Henrique Cardoso.
Em resumo: para calar a voz do povo, Lula usa um dispositivo criado pela ditadura militar e outro criado por FHC. E o extraordinário nisso é que os dois dispositivos tratam de telecomunicações e não de radiodifusão – e, portanto, não se aplicariam às rádios comunitárias.
Fora do ar!
Em suas manifestações, os órgãos públicos alegam seguir à lei para fazer a repressão. Mas a lei não fala que a Anatel tem pagar diária à PF, recorrer na Justiça quando algum juiz defender uma rádio, ou tentar fazer a cabeça de juizes. Qual a lei que eles dizem seguir? A antes citada, que aborda a repressão, e a legislação que regulamenta as rádios comunitárias: Lei nº 9.612/98, Decreto 2.615/98 e Norma Operacional 01/04.
O conjunto da legislação estabelece uma série de limites, de "não pode": o alcance da rádio comunitária não pode ir além de 1km, a rádio não pode veicular publicidade, não pode entrar em rede com outras rádios, os diretores não podem morar fora do raio de 1km, não pode ter proteção do Estado para interferências de emissoras comerciais... Enfim, a rádio não pode existir.
Essa legislação está em vigor. É a pior da América Latina no tocante a rádios comunitárias. Não se sabe de uma legislação pior no mundo. O que o governo fez para mudar isso? Nada. Corrija-se: piorou mais ainda.
O Ministério das Comunicações fez uma nova Norma Operacional (01/04) que burocratiza mais ainda o processo e estabelece outros "não pode". A burocracia é tão pirandelliana* que pede até uma declaração da entidade de que ela vai seguir a lei. Não se sabe se isso foi um ato de burrice explícita ou simplesmente de má-fé de algum burocrata viciado em papéis.
As ações de má-fé do governo com relação às rádios comunitárias são mais explícitas. Por exemplo, no governo FHC, a Anatel designou como único canal para todas as rádios comunitárias, o 200, correspondente a freqüência de 87,9 MHz. Em alguns casos, destinou-se um canal alternativo.
No governo Lula, a Anatel – pressionada por um movimento legítimo de mais espaço no dial de São Paulo – achou por bem indicar mais dois canais – duas opções, mais exatamente, porque a lei só permite um canal por município. E designou as freqüências de 87,5 e 87,7 MHz.
Então, graças ao governo Lula, as rádios comunitárias têm três opções de canais. Ótimo. Não. Má-fé. Porque todos estes canais estão fora do dial! No dial do rádio, a faixa de operações em FM vai de 88 MHz a 108 MHz – e as rádios vão operar abaixo de 88 MHz. Como os aparelhos de rádio a princípio não foram feitos para receber sinais abaixo de 88 MHz, imagina-se que as rádios comunitárias irão transmitir para o nada. Eis uma situação surrealista.
Carrapatos do poder
Argumentam os tecnocratas e burocratas e carrapatos do poder que se trata de uma decisão técnica. Isto não é verdade. É, sim, uma opção política. Por exemplo, pergunte-se às emissoras ligadas a grupos poderosos, como a CBN, Globo, Transamérica, se elas topariam atuar nestes canais fora do dial. "Você pensa que eu sou idiota?", seria a resposta publicável.
Foi uma decisão política mascarada como técnica. E muito mal mascarada. A Anatel chegou a contratar o CPqD, que apresentou estudo justificando a escolha dos novos canais. O tal "estudo", porém, é visivelmente político. Há uma clara intenção de exclusão de um serviço considerado de quinta categoria, de gente pobre, chata, marginal. O estudo é preconceituoso, para dizer o mínimo. Eis algumas pérolas desse estudo:
"Embora o canal 200 esteja designado para uso exclusivo do Serviço de RadCom, em nível nacional, na prática ele não pode ser designado para diversos municípios devido à interferência que provocaria em alguns canais previstos ou autorizados na faixa de freqüência para o serviço de radiodifusão sonora em FM e o canal 6 de TV/RTV."
O CPqD já sai em defesa das emissoras comerciais, que, na sua visão preconceituosa, são superiores. Mais adiante reconhece, com grifo dele, que o canal 200 está fora da faixa:
"Este obstáculo levou a agência a designar para execução do serviço de RadCom, em algumas localidades, canais alternativos dentro da faixa de FM com os seguintes inconvenientes:
(...)
A presença de estações de RadCom na mesma faixa de freqüência das estações de FM dificulta a fiscalização e a identificação de estações não autorizadas."
No texto acima o preconceito é explícito. O CPqD – que já foi instituição pública e agora, bem se vê, é privada – não considera que estações de rádios comunitárias sejam estações de FM. E partindo do pressuposto que as rádios comunitárias são constituídas por marginais, piratas e bandidos, alerta para o risco delas ficarem dentro da faixa de FM – isto atrapalharia a repressão sobre elas.
Na verdade, este governo nem cumpre a lei, mesmo uma lei ruim como esta. Eis alguns exemplos. Diz o artigo 20 da Lei 9.612/98 (grifos meus):
"Compete ao Poder Concedente estimular o desenvolvimento de Serviço de Radiodifusão Comunitária em todo o território nacional, podendo, para tanto, elaborar Manual de Legislação, Conhecimentos e Ética para uso das rádios comunitárias e organizar cursos de treinamento, destinados aos interessados na operação de emissoras comunitárias, visando o seu aprimoramento e a melhoria na execução do serviço."
Desde a promulgação da lei, quantos cursos e treinamentos o Ministério das Comunicações realizou até hoje? Zero.
Diz o artigo 4º, § 1º da lei 9.612/98:
"É vedado o proselitismo de qualquer natureza na programação das emissoras de radiodifusão comunitária."
Diz ainda o artigo 11 da lei 9.612/98:
"A entidade detentora de autorização para execução do Serviço de Radiodifusão Comunitária não poderá estabelecer ou manter vínculos que a subordinem ou a sujeitem à gerência, à administração, ao domínio, ao comando ou à orientação de qualquer outra entidade, mediante compromissos ou relações financeiras, religiosas, familiares, político-partidárias ou comerciais."
Ora, o mundo inteiro – menos o governo – sabe que boa parte das 2.199 autorizações até hoje concedidas pelo Ministério das Comunicações está nas mãos da Igreja Católica ou uma das ramificações evangélicas. Isto é ilegal! Mas o Ministério das Comunicações e a Anatel nada fazem para coibir. É preciso haver uma revisão das autorizações concedidas.
Este é mais um motivo para não se acreditar neste papel concedido pelo governo. Um papel na parede, com a autorização oficial, não diz que a rádio é ou não comunitária. É apenas um papel – concedido pelo cartório estatal – que dá direito àquela emissora de funcionar "como se fosse" uma rádio comunitária.
Em 2003 o Ministério das Comunicações, entregue a Miro Teixeira, formou um Grupo de Trabalho com a finalidade de encontrar um jeito de reduzir a burocracia no próprio ministério, porque havia 8 mil processos parados nesse cartório. O fato é, por si, estranho: chamar um grupo para resolver um problema burocrático interno. Houve outra estranheza nisso: Miro Teixeira incluiu nesse GT um representante da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), inimiga das comunitárias. No que esta pessoa contribuiria? Em nada. Ela entrou nesse GT com a missão de impedir que o grupo fizesse propostas mais avançadas.
Mas, apesar do ministro e do ministério, o GT até que trabalhou, apresentou propostas para reduzir a burocracia e outras que resolveriam alguns problemas maiores das rádios comunitárias. O ministro Miro mostrou que é um político experiente na arte de fazer política pelo poder. O atual, Eunício Oliveira (proprietário de emissoras no Ceará), fez algumas mudanças burocráticas, mas as principais propostas foram para o lixo. Não se constituiu um conselho de rádio comunitária e muito menos o governo encaminhou ao Congresso uma nova proposta de legislação, como pediu o GT.
Legislativo não faz leis
O argumento de todos os burocratas e tecnocratas e autoridades do atual governo para nada fazer é que eles têm que seguir a lei, e que mudar a lei é função do Legislativo. Conversa. Eles sabem que não é assim na política.
Estudo realizado pela Consultoria da Câmara dos Deputados revela que das 119 leis aprovadas pelo governo Lula até outubro de 2004, somente 10% foram feitas pelos parlamentares. Com o Governo FHC foi a mesma coisa. Portanto, quem faz leis neste país não é o Legislativo, mas o Executivo.
O Congresso Nacional tem hoje tramitando 43 projetos de lei sobre rádios comunitárias. Desse total, 17 aperfeiçoam a legislação vigente; 18 deles pioram o que já é ruim. Todos esses projetos estão hibernando na Comissão de Ciência e Tecnologia. Nada anda. Só vai andar se o governo quiser. Porque nesta comissão se encontram os interesses dos poderosos da comunicação no país, e o governo Lula tem medo dessa gente. Daí, na hora de escolher as comissões, mesmo o PT, que é o maior partido na Câmara e ocupa a presidência da Casa, não ousa pegar a presidência da Comissão de Ciência e Tecnologia, e a deixa com os de sempre.
Tudo isso é muito simbólico. O Brasil tem historicamente dois grandes latifúndios: o das comunicações e o da terra. Neles se concentram as duas maiores forças políticas do país, responsáveis pela cruel realidade do povo brasileiro. Pois bem, o Ministério da Agricultura e a Comissão de Agricultura foram entregues aos respectivos latifundiários do setor; o das Comunicações e a Comissão de Ciência e Tecnologia, idem. Isto é uma sinalização histórica. Um equívoco que vai pesar na história de Lula.
São equívocos e omissões que insistem em acontecer. No início de 2004, o governo convocou algumas pessoas e entidades com a proposta de realizar uma Conferência Nacional de Radiodifusão Comunitária. Mais um ato surrealista: quem estava na organização da Conferência não era o Ministério das Comunicações, mas a Fundação Banco do Brasil, Casa Civil, e até o programa Fome Zero! O ministério entrou nas primeiras discussões, mas quando viu que poderia sobrar para ele, caiu fora. E como fazer uma Conferência sobre comunicação sem o Ministério das Comunicações?
Então o governo apresentou sua proposta de eixo da conferência: nada que se referisse a mudanças na lei, fim da repressão, anistia aos que estavam sendo processados, devolução dos equipamentos apreendidos e, o principal, mudanças no modelo político de comunicação.
O governo, com o apoio de entidades como o Viva Rio (aquela que distribui programas da Globo para as rádios comunitárias), queria discutir código de ética, associativismo... Mais surrealismo. Era a proposta de quem estava fugindo ao embate do momento, ou desconhecia a realidade das rádios comunitárias. Como o movimento não aceitou esta pauta, a Conferência gorou.
Mais GTs
Na sexta-feira (26/11/2004), por decreto, o Governo montou um novo Grupo de Trabalho. Os objetivos desse GT são genéricos, mas não trata do principal. Ainda inclui um deboche: o GT pretende encontrar formas de "aperfeiçoar" a fiscalização – isto é, melhorar a eficiência da Anatel/PF na repressão.
É um grupo fechado no governo, não tem a sociedade civil. O que se pode esperar dessa gente? Por que ao invés de fazer GTs e mais GTs o governo não faz o óbvio (em cinco minutos é possível para qualquer pessoa bem-informada do movimento de rádios comunitárias revelar a realidade vivida por ele)? Por que, ao invés de um novo GT, não implementa as boas decisões do anterior? Será que o governo está tentando, mais uma vez, enrolar aqueles que atuam com rádios comunitárias, fugindo aos seus compromissos com o povo brasileiro?
É preciso deixar bem claro que, ao contrário do que dizem os burocratas e tecnocratas e autoridades comprometidas com a elite nacional, o governo Lula tem condições de fazer muito pelas rádios comunitárias. Eis algumas das ações que poderia encaminhar:
* Modificar o atual modelo de comunicação que privilegia o latifúndio da comunicação, estabelecendo regras que proíbam a concentração dos meios, e abrindo mais espaço para as emissoras comunitárias, educativas e estatais. Em outras palavras: deflagrar uma reforma agrária do ar.
* Elaborar um novo texto para o Decreto 2.615, corrigindo as deficiências do atual.
* Elaborar uma Norma Operacional menos burocrática e limitadora.
* Apresentar PL modificando a Lei 9.612.
* Apresentar Medida Provisória anistiando os que foram criminalizados na Lei 4.117/62 e Lei 9.472/97.
* Apresentar Medida Provisória determinando a devolução dos equipamentos apreendidos.
* Apresentar Medida Provisória revogando o art. 70 da Lei 4.117/62 e o art. 183 da Lei 9.472/97.
* A Advocacia Geral da União poderia dar parecer contrário ao uso dos Arts. 70 e 183, acabando com a repressão.
* Realizar cursos de qualificação.
* Inserir os canais de rádios comunitárias na faixa do dial.
* Inserir a TV comunitária no sinal aberto.
* Inserir publicidade oficial paga nas rádios comunitárias.
* Criar fundo para as rádios e TVs comunitárias.
* Fazer uma manifestação pública em defesa dos que fazem rádio comunitária. (Até hoje, com o pau comendo nas rádios, o governo não fez uma só manifestação nesse sentido.)
A questão das rádios comunitárias no Brasil é essencialmente política. A realidade mostra que a população brasileira não tem acesso aos meios de comunicação, é diariamente agredida com violações dos direitos humanos, e submetida a uma legislação que sedimenta uma exclusão secular.
Basta do governo fazer articulação política para se sustentar no poder. Temos aqui a busca do poder pelo poder. O povo quer mudança. Lula precisa dizer a que veio. Basta das autoridades tentarem fugir às suas obrigações, mascarando o que é decisão (ou indecisão política) como técnica, transferindo responsabilidades do Executivo para o Legislativo.
Um exemplo de como o atual governo faz política nessa área: Há casos de rádios autorizadas pelo Ministério das Comunicações há mais seis meses, mas que não chegam ao Congresso Nacional porque a Casa Civil guardou para si o direito de "autorizá-los" politicamente. Criou-se uma nova instância de deliberação sobre as rádios comunitárias: a Casa Civil. Nem no Governo neoliberal de FHC se fazia isso.
Afirmar que o governo tenta matar as rádios comunitárias não é exagero. Todas as ações realizadas pelo governo Lula – principalmente as omissões – indicam uma intenção oficial de impedir a operação das rádios comunitárias. Ela é derivada de compromissos assumidos com a elite econômica e, principalmente, com o latifúndio da comunicação. Se 70% dos recursos de publicidade, incluindo os das estatais, vai para uma única empresa, e um percentual quase zero vai para as estatais, e nada vai as comunitárias, é porque se optou por servir ao latifúndio.
Poderia se argumentar que o Governo age assim, desprezando e aniquilando as rádios comunitárias, por desconhecer o assunto. Se esta ignorância, que cheira à burrice se for verdade, é inadmissível. É inadmissível que o governo desconheça a realidade das rádios comunitárias. Não se admite que o PT, sendo um partido nascido nas bases populares, desconheça o que acontece hoje com as rádios comunitárias. Seria um caso de incompetência ou desvirtuamento ideológico.
Do povo brasileiro está sendo tirado seu direito de falar. Sem voz, ele não tem acesso à informação, cultura, destino. Não tem liberdade de expressão. E quem não se comunica, morre, diz uma das leis da natureza. Se o povo brasileiro, sem voz (também sem terra, moradia, água, energia, escola, saúde...) há tanto tempo não morreu, foi por pura teimosia e esperança. Esta esperança sempre esteve associada ao medo; embora algumas vezes a esperança tenha sido maior que o medo. Mas hoje, quando se deflagra um processo político de destruição das rádios comunitárias, com a Polícia Federal invadindo salas, residências, batendo nas pessoas, algemando, enquadrando por "formação de quadrilha", o medo é maior. Muito grande.
O que se escuta dos agentes do Estado é: As rádios comunitárias devem morrer. E o povo responde: Fujam que a polícia vem aí; fujam que o governo Lula chegou.
Fonte: Observatório da Imprensa
Anatel fechou 6.716 emissoras em cinco anos
Estado de S.Paulo - Nacional
Felipe Werneck
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) fechou 6.716 rádios consideradas clandestinas no País em cinco anos. O número é quase o dobro do total de autorizações (3.652) do Ministério das Comunicações para o funcionamento de rádios comunitárias em dez anos. Existem hoje cerca de 15 mil rádios como essas em operação, diz a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária. "As rádios não querem ficar clandestinas, mas há 18 mil pedidos de autorização e só 3 mil foram aprovados em quase 11 anos", diz Sebastião Santos, um dos fundadores da entidade.
Fonte: AESP / www.tvcopacabana.com
Nesse Link podem ouvir o compromisso firmado do Presidente Lula com as Rádios Comunitárias
http://www.youtube.com/watch?v=_TIbo8Uk0PU