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segunda-feira, 13 de abril de 2009

Cego conta como passou no vestibular de Música


Cego desde recém-nascido, André Vicente da Silva, 21 anos, quer ser professor de piano. Aos 11, ele aprendeu a tocar teclado. Com 17, começou a estudar teoria musical e ler partituras. E, neste ano, é um dos calouros do curso de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
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Decidido a conquistar uma vaga no listão da federal, André passou 2008 se dedicando ao estudo da música. Depois da prova específica, teve pouco mais de dois meses para revisar os conteúdos da escola para os exames objetivos. Pegou livros de cursinhos e fez as provas interativas disponíveis no site da UFRGS. Todos os dias, estudava uma parte do conteúdo exigido pela universidade. Além de ler em braile e de contar com a ajuda de um programa de computador que lê o que está escrito na tela, André escreveu muito.
"Gravo melhor as coisas que eu escrevo. Então, eu fazia resumos das coisas que lia. Também procurava relacionar uma matéria a outra, como Literatura e História. Como já estudo música e tenho esse conhecimento, relacionava períodos históricos com tipos de estrutura musicais da época, seu contexto histórico", contou. Com dificuldades para encontrar material em braile de algumas disciplinas, André também contou com a ajuda de amigos e familiares. Uma amiga que estuda Engenharia deu uma força nos conteúdos de Física. Nos fins de semana, a mãe, Mara Inês da Silva, lia textos de matérias como Geografia, Biologia, História e Literatura.
Servidor concursado da prefeitura de Canoas, município da Região Metropolitana de Porto Alegre, André toca acordeon no grupo nativista Terra e Tradição - com o qual ensaia todos os sábados e se apresenta em bailes - e pratica seus dotes musicais no piano elétrico que tem em casa. Como não pode ler as partituras em braile com uma mão e tocar o piano com a outra, é obrigado a decorar as músicas. Para a prova prática, por exemplo, teve de decorar uma peça com cerca de seis minutos de duração.
Com o início das aulas, o futuro professor se sente cada dia mais próximo de seu sonho. Prevê que vai terminar o curso em, no mínimo, seis anos, mas não desanima - nem quando pensa na escassez de material didático em braile. "Eu nasci para a música e dedico minha vida a isso. Logo, serei professor de piano. É o que eu mais quero", resume.

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